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MULTA DE TRÂNSITO

Multa por forçar ultrapassagem: como identificar erros e tentar cancelar

A multa por forçar ultrapassagem é gravíssima, pode suspender a CNH e exige atenção ao auto de infração. Veja como identificar erros e recorrer.

A multa por forçar ultrapassagem é uma das infrações mais graves relacionadas à circulação em vias de mão dupla. Além da multa elevada, o artigo 191 do Código de Trânsito Brasileiro prevê a suspensão do direito de dirigir. Ainda assim, a autuação não é automaticamente válida: o auto de infração precisa descrever corretamente o fato e respeitar os requisitos legais.

Por isso, quem recebeu essa notificação deve verificar com atenção o enquadramento, a narrativa da conduta, o local, o horário, a identificação do veículo e os prazos para defesa. Um erro relevante pode fundamentar o arquivamento do auto ou o cancelamento da penalidade, mas a análise deve ser feita caso a caso e não garante resultado.

O que caracteriza a multa por forçar ultrapassagem?

O artigo 191 do Código de Trânsito Brasileiro considera infração forçar passagem entre veículos que trafegam em sentidos opostos e estão na iminência de passar um pelo outro durante uma operação de ultrapassagem.

Na prática, a conduta ocorre quando o motorista inicia ou mantém uma ultrapassagem sem espaço e tempo suficientes para retornar à sua faixa, obrigando o veículo que vem no sentido contrário a frear bruscamente, deslocar-se para o acostamento ou realizar outra manobra para evitar uma colisão.

A regra não se limita a rodovias. A situação também pode ocorrer em ruas e avenidas urbanas com circulação em sentidos opostos, desde que estejam presentes os elementos descritos no artigo 191.

Qual é o valor da multa e há suspensão da CNH?

A infração é gravíssima e tem penalidade de multa dez vezes. Considerando o valor-base da infração gravíssima previsto no CTB, de R$ 293,47, a multa do artigo 191 corresponde a R$ 2.934,70.

Em caso de reincidência no período de até 12 meses da infração anterior, a multa prevista no artigo 191 é aplicada em dobro, chegando a R$ 5.869,40. O enquadramento também prevê suspensão do direito de dirigir.

A suspensão, porém, não deve ser confundida com a simples lavratura do auto. Trata-se de uma penalidade que precisa ser aplicada pela autoridade competente em processo administrativo, com oportunidade de defesa. O artigo 261 do CTB estabelece regras para a suspensão e prevê que o processo relacionado à infração que possui suspensão específica seja instaurado na forma regulamentada pelo CONTRAN.

Forçar ultrapassagem é crime?

Em regra, a autuação pelo artigo 191 é uma infração administrativa de trânsito. Ela não transforma automaticamente o fato em crime.

Entretanto, uma ultrapassagem pode estar associada a outras condutas ou a um acidente com consequências jurídicas distintas. Dependendo das circunstâncias, podem existir apurações criminais relacionadas a lesão corporal, morte ou direção com capacidade psicomotora alterada. A existência da multa, sozinha, não permite concluir que houve crime.

Como diferenciar uma ultrapassagem irregular de um erro de autuação?

Nem toda ultrapassagem em local proibido configura o artigo 191. O Código de Trânsito possui enquadramentos diferentes para manobras de ultrapassagem, circulação pela contramão, desrespeito à sinalização e outras condutas.

O artigo 191 exige uma situação específica: a passagem forçada entre veículos em sentidos opostos que estejam na iminência de passar um pelo outro. Portanto, o agente precisa enquadrar corretamente o comportamento observado.

Imagine, por exemplo, que um veículo esteja ultrapassando outro e um automóvel saia de uma via lateral ou de uma estrada de terra. Se não houve aproximação iminente entre veículos que trafegavam em sentidos opostos durante a ultrapassagem, pode existir discussão sobre a adequação do enquadramento. Esse é apenas um exemplo hipotético; a conclusão depende das provas e do conteúdo do auto.

Quais erros podem ser analisados no auto de infração?

O auto de infração é o documento que registra a ocorrência e dá início ao procedimento administrativo. A Resolução CONTRAN nº 918/2022 consolida regras sobre a aplicação de multas, enquanto a Resolução CONTRAN nº 900/2022 trata da padronização da defesa e dos recursos.

Na análise, o motorista pode conferir, entre outros pontos:

  • placa, marca, espécie e demais dados de identificação do veículo;
  • local, data e horário da suposta infração;
  • órgão autuador e identificação do agente ou equipamento;
  • enquadramento legal indicado;
  • descrição suficiente da conduta observada;
  • compatibilidade entre a narrativa e o artigo 191 do CTB;
  • regularidade da notificação e indicação do prazo de defesa;
  • eventuais rasuras, omissões ou informações contraditórias.

Um erro formal não leva necessariamente ao cancelamento. É preciso verificar se a falha prejudica a identificação do fato ou impede o exercício da defesa. Da mesma forma, a alegação genérica de que o motorista não concorda com a multa costuma ser insuficiente sem argumentos e documentos que sustentem a contestação.

A notificação recebida já é a multa?

Nem sempre. O proprietário pode receber inicialmente a Notificação de Autuação, que comunica o registro da infração e abre prazo para defesa prévia e, quando cabível, indicação do real condutor.

Depois, se o auto não for arquivado, pode ser expedida a Notificação de Penalidade, com a imposição da multa e novo prazo para recurso. A nomenclatura e os prazos devem ser conferidos no documento recebido e nos canais oficiais do órgão autuador.

Não é recomendável esperar a abertura de um processo de suspensão para só então analisar a autuação. Como o artigo 191 prevê suspensão específica, a defesa da multa e a defesa no processo de suspensão podem ter momentos e procedimentos próprios.

Como apresentar defesa contra a multa por forçar ultrapassagem?

  1. Identifique o órgão autuador: confira se a autuação foi feita por órgão municipal, estadual, rodoviário ou outro integrante do Sistema Nacional de Trânsito.
  2. Separe todos os documentos: notificação, auto de infração, documento do veículo, habilitação e eventuais provas.
  3. Leia a descrição da conduta: verifique se o texto realmente descreve a passagem forçada entre veículos em sentidos opostos.
  4. Compare os dados: confira placa, local, data, horário, sentido da via e demais informações.
  5. Observe o prazo: a defesa ou o recurso deve ser protocolado dentro da data indicada na notificação.
  6. Apresente argumentos objetivos: explique o erro ou a inexistência da conduta e anexe documentos, imagens, vídeos ou declarações quando forem pertinentes.
  7. Acompanhe o resultado: guarde o protocolo e verifique se houve decisão e se existe processo separado de suspensão.

A defesa prévia e os recursos devem ser dirigidos ao órgão indicado na notificação. O procedimento não é substituído pelo envio de mensagem em redes sociais ou por reclamação informal.

Quais provas podem ajudar?

As provas dependem do caso. Podem ser úteis imagens de câmera veicular, fotografias do local, vídeos, registros de viagem, documentos que demonstrem a configuração da via e informações que ajudem a esclarecer o sentido de circulação.

Uma câmera veicular pode servir como elemento de prova, mas o arquivo deve ser preservado com data, horário e contexto, sem cortes que comprometam a credibilidade. A existência de vídeo não significa que a autoridade será obrigada a cancelar a autuação; o material precisa ser analisado em conjunto com o auto.

O que não fazer depois de receber a autuação?

  • não ignorar a notificação;
  • não presumir que a multa será cancelada apenas porque o motorista discorda;
  • não apresentar uma defesa baseada somente em frases genéricas;
  • não confundir erro no auto com simples ausência de fotografia;
  • não perder o prazo por esperar uma resposta informal do órgão;
  • não dirigir durante eventual suspensão já aplicada e comunicada oficialmente.

Também é importante não admitir ou negar fatos de forma imprecisa. A defesa deve trabalhar com o que efetivamente ocorreu e com os documentos disponíveis.

Perguntas frequentes

A multa por forçar ultrapassagem gera pontos na CNH?

Por ser infração gravíssima, o enquadramento possui pontuação correspondente, mas o artigo 191 também prevê suspensão específica do direito de dirigir. A aplicação da suspensão depende do processo administrativo próprio.

A multa pode acontecer dentro da cidade?

Sim. O artigo 191 não restringe a infração às rodovias. Ela pode ser aplicada em via urbana ou rural se a conduta descrita na lei estiver caracterizada.

Se o agente não tirou foto, a multa é nula?

Não necessariamente. A ausência de fotografia, por si só, não prova a nulidade. A validade depende do cumprimento dos requisitos legais e da consistência do registro feito pela autoridade.

Posso recorrer mesmo tendo cometido a ultrapassagem?

Sim, qualquer interessado pode exercer o direito de defesa dentro do prazo. Contudo, o recurso deve apresentar argumentos verdadeiros e juridicamente pertinentes, sem criar fatos ou documentos.

O pagamento da multa impede a defesa?

O pagamento não deve ser tratado como substituto da análise do procedimento. O motorista precisa conferir as regras e os efeitos do pagamento no caso concreto antes de escolher essa opção.

Orientação prática para quem recebeu essa multa

Ao receber uma autuação por forçar ultrapassagem, o primeiro passo é baixar ou solicitar a íntegra do auto e conferir o enquadramento do artigo 191 do CTB. Em seguida, compare a descrição da ocorrência com o que realmente aconteceu e organize as provas antes do vencimento do prazo.

Para acompanhar informações sobre multas e recursos, o motorista pode consultar o Transitto e o blog de notícias sobre trânsito. Quando houver dúvida sobre a estratégia ou sobre um processo de suspensão, também é possível buscar orientação profissional por meio de um serviço especializado, como o Rei das Multas. O conteúdo divulgado no Instagram de Danilo Liberato pode ser acompanhado como informação, mas não substitui a leitura da notificação nem a apresentação formal ao órgão competente.

O vídeo relacionado ao tema está disponível no YouTube. A análise de cada caso deve considerar os documentos oficiais, os prazos e as circunstâncias concretas da abordagem.

Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial; não retrata uma ocorrência real.

Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial; não retrata uma ocorrência real.

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